Já dizia Bertolt Brecht: “Quem não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.”. Eu acrescentaria uma terceira categoria: o peixe dourado. Esse conhece a verdade, mas a esquece em segundos, nadando feliz em seu aquário de autoengano.
O Brasil despertou. Foi preciso um nordestino pobre, operário e sem diplomas para acordar o gigante adormecido. Faltava-lhe tudo, menos inteligência e vontade de mudar. Insistiu, brigou, gritou — e chegou lá. Em pouco tempo, transformou um país decadente e estagnado em uma nação próspera e respeitada. Concentrou-se no básico: combateu a fome e a miséria, fomentou o desenvolvimento, fez o Brasil andar. Pela primeira vez, milhões de miseráveis foram alvo de políticas de inserção social. Crianças passaram a se alimentar dignamente, frequentar escolas sem fome, aprender melhor. É a dignidade de ser cidadão em um país imenso e rico, mas que sempre lhes negara até o direito de viver. Antes, sobreviviam.
E eis que surge a pequena, mas barulhenta, minoria da classe média revoltada. Pasmos porque o filho do pedreiro conseguiu vaga na faculdade, ou porque o filho da empregada tem um PlayStation antigo. Indignados porque parte dos impostos serve para aliviar o sofrimento de crianças inocentes, como se combater a fome fosse um luxo dispensável. Viram o rosto para o drama humano e preferem discutir maus-tratos a cães e gatos — não que isso não importe, mas é curioso como a compaixão deles se limita ao reino animal.
Cultivam a lei do mais forte: “são miseráveis porque merecem, não trabalham por preguiça.” Apegam-se ao diploma como se fosse certificado de inteligência e caráter. Felizes porque nunca beberam tanta Skol, repetem piadas sem graça sobre argentinos, convencidos de que isso é humor refinado. Entopem os aeroportos, um formigueiro de libélulas deslumbradas por voar. Reclamam da multidão, achando que os aeroportos encolheram, e não que o país inteiro melhorou de vida.
Mas não se trata apenas de festa e consumo. Há também o zelo religioso: missa no domingo, culto do pastor, passe espírita. É preciso provar ao divino que são bons cidadãos. E, em um ato de sublime compaixão, contribuíram para o globalizante *Criança Esperança*. Doaram. Agora, qualquer egoísmo ou omissão está automaticamente absolvido.
Nunca estiveram tão bem, tão saudáveis, tão felizes. O que realmente os incomoda é saber que aquele retirante nordestino, sem pedigree acadêmico, é o responsável por avanços econômicos e sociais que projetaram o Brasil ao lugar que sempre mereceu: entre os países mais importantes do planeta.

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