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Riem de que, caras-pálidas ?

  Riem da vida boa que o dinheiro público proporciona a toda uma família cuja produtividade sempre pareceu ser um conceito abstrato. Industriais? Escritores? Cantores? Advogados conceituados? Não. Nenhuma dessas trivialidades. Os filhos tampouco seguiram o pai na carreira militar. Talvez tenham refletido e concluído que, se o patriarca conseguiu a proeza de ser expulso do Exército ainda como um medíocre capitão, talvez não houvesse ali uma tradição familiar de talentos militares a ser preservada. Se faltava vocação para a disciplina, sobrava aptidão para algo muito mais lucrativo: a política. E ali descobriram uma mina de ouro inesgotável, onde os que dominam a arte de simplificar o mundo em slogans, transformar boatos em verdades convenientes e espalhar indignação industrializada conseguem prosperar magnificamente. Na era digital, nunca foi tão fácil transformar desinformação em capital político. As urnas, afinal, são férteis quando irrigadas diariamente por rios de mensagens, víd...
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Energia nuclear: limpa demais para ser levada a sério ?

Vivemos a era da emergência climática. Conferências internacionais se multiplicam, gráficos apocalípticos circulam com entusiasmo e discursos sobre transição energética tornaram-se praticamente obrigatórios. Tudo isso, claro, acompanhado de promessas de um futuro limpo, sustentável e, se possível, eleitoralmente conveniente. Ainda assim, é curioso notar que uma das fontes de energia mais limpas, densas e estáveis já disponíveis continua sendo tratada como um assunto delicado, quase constrangedor. A energia nuclear permanece fora do centro do debate climático, como se fosse uma herança embaraçosa de um passado que preferimos fingir que superamos. A pergunta se impõe: se a energia nuclear é de baixo carbono, confiável e tecnicamente madura, por que ela não ocupa um papel central na discussão sobre o futuro energético do planeta? A resposta não está na física. Nem na engenharia. Energia limpa não é apenas a que depende do clima O debate energético atual parece resumir energia renovável a ...

O radical útil à extrema-direita

Rui Costa Pimenta Há quem sirva à extrema-direita sem jamais sair da esquerda. Rui Costa Pimenta é hoje um caso exemplar. Líder de um partido irrelevante, mas barulhento — o Partido da Causa Operária — Rui produz, com disciplina quase militante, argumentos que a direita golpista agradece de pé. Ao atacar as urnas eletrônicas, relativizar o discurso de ódio e demonizar qualquer defesa institucional da democracia, Rui não radicaliza o debate: ele o empobrece. Sua obsessão em tratar Alexandre de Moraes como inimigo central da esquerda ignora o óbvio ululante: em tempos de ameaça real ao Estado de Direito, defender as instituições não é virtude liberal, é condição de sobrevivência. O mais curioso é o espaço generoso que recebe no Brasil 247. Não por censura, ideias ruins devem circular, mas pela insistência. Em um campo progressista cheio de vozes lúcidas e estrategicamente relevantes, optar por Rui é escolher o ruído, o dogma e a caricatura. No fim, Rui Costa Pimenta não desafia o sistema...

O pateta fujão

Ora, ora, quem diria. Silvinei Vasques foi capturado no Paraguai no meio de uma tentativa de fuga tão engenhosa quanto patética, rumo a El Salvador. Uma operação que começou mal e terminou exatamente onde deveria: no ridículo. O doente terminal O fascista da PRF Para a ocasião, encenou uma ópera bufa: vestiu-se de doente terminal, simulou um câncer no cérebro e colou esparadrapos pelo corpo como se isso lhe conferisse verossimilhança. Alegou, por escrito, vejam a ironia, que não podia falar nem entender nada por causa da doença. O câncer, ao que parece, poupou a coordenação motora, a caligrafia, o planejamento da fuga internacional e até o cuidado de levar o cachorro junto. A estupidez sempre foi sua marca registrada, mesmo quando se fantasiava de autoridade no uniforme preto apertado, inflado de pose e vazio de dignidade. No aeroporto paraguaio, reduto clássico de fugitivos de quinta categoria, o golpista revelou sua essência: um malandro sem talento, desses que confundem esperteza co...

O Congresso apequenado e a inércia da liderança

O Brasil vive um descompasso crônico: uma nação de potencial continental acorrentada a um Poder Legislativo que insiste em operar na mediocridade moral. Não se trata apenas de falhas no presidencialismo de coalizão ou de heranças coloniais; o problema central é a crise de capital humano. Faltam quadros com estatura republicana nas cadeiras acolchoadas de Brasília. Nas últimas duas décadas e meia, o Parlamento brasileiro sofreu uma metamorfose deletéria. O debate de ideias cedeu lugar a um pragmatismo vulgar, onde o interesse público tornou-se mero acessório retórico. A institucionalização do fisiologismo , via emendas com baixa transparência, transformou o orçamento da União em moeda de troca paroquial, drenando recursos estratégicos para atender a caprichos locais sem critério técnico. A nostalgia é inevitável quando se compara o cenário atual com tempos idos. Figuras como Ulysses Guimarães ou Ibsen Pinheiro , a despeito de suas contradições, mantinham o decoro e a liturgia do cargo...

Patriotismo da Neurose

Antes, a figura central era o pastor, e ao seu redor, um rebanho de fiéis, todos vigilantes e submissos à obediência divina. A vida era pautada por um código rigoroso: morria-se ou matava-se, comia-se ou jejuava-se, tudo em estrita conformidade com as regras pregadas, em nome da moral inquestionável e dos ensinamentos celestiais. O temor a Deus ditava cada passo, cada pensamento, e a salvação era a recompensa por uma vida de conformidade e sacrifício. A individualidade era suprimida em prol da coletividade, da identidade do rebanho, e qualquer desvio era prontamente condenado como heresia, uma ameaça à ordem estabelecida. Hoje, a paisagem ideológica mudou, mas a dinâmica fundamental persistiu, apenas com novas roupagens. A fé religiosa, outrora a força motriz, cedeu seu lugar a um patriotismo aleijado, doentio, que se manifesta em patriotas fervorosos, mas tristemente incapazes de gerir a informação de forma coerente e crítica. A capacidade de discernimento foi atrofiada, substituída p...

Quando a "Liberdade" Vira Desculpa para a Opressão

A palavra "liberdade" deveria ser sagrada. No entanto, ela caiu em uma contradição perigosa: tem sido usada para justificar a exploração. Com o apoio de parte da mídia, blogs políticos e governos, o termo virou um escudo para atacar os mais pobres, manter a desigualdade e permitir que o 1% mais rico interfira na vida de todos nós. Como foi que uma ideia tão nobre acabou virando sinônimo de injustiça? Liberdade para quem? Em nome dessa suposta liberdade — especialmente a liberdade de não seguir regras (desregulação) —, bancos quebraram a economia mundial . Com a mesma desculpa, cortam-se impostos dos super-ricos , achatam-se salários e aumentam-se as jornadas de trabalho . Nos EUA, por exemplo, o lobby das seguradoras usa a "liberdade" para impedir que o povo tenha um sistema de saúde público decente . Na prática, o que chamam de liberdade é, muitas vezes, apenas o direito do poderoso de explorar o mais fraco. É uma filosofia que defende o poder de agir sem freio...