Eis que testemunhamos a gloriosa apoteose do "cabeça de bagre", aquela criatura que escalou o Everest da magistratura não por esforço ou intelecto, mas no sempre eficaz empuxo de compadres e coronéis. Um monumento vivo ao triunfo inequívoco da mediocridade. O rapaz é um verdadeiro gênio da geopolítica do networking: sempre esteve no lugar certo, na hora exata, conseguindo a proeza de galgar os mais altos degraus da carreira pública sem o incômodo cansaço de prestar um único concurso público. A obra-prima dessa trajetória se completou quando seu padrinho — aquele singelo capitão expulso do Exército que, numa disputa acirrada, consegue ser ainda mais medíocre que o afilhado — o catapultou para o Supremo Tribunal Federal. Sejamos justos: a indicação não foi um ato de caridade cristã do capitão. Foi aparelhamento puro, orgânico, na acepção mais fisiológica da palavra. Kassio Nunes Marques, porque dar nome aos bois é um dever cívico, sempre carregou no peito a nobre e submissa r...
Riem da vida boa que o dinheiro público proporciona a toda uma família cuja produtividade sempre pareceu ser um conceito abstrato. Industriais? Escritores? Cantores? Advogados conceituados? Não. Nenhuma dessas trivialidades. Os filhos tampouco seguiram o pai na carreira militar. Talvez tenham refletido e concluído que, se o patriarca conseguiu a proeza de ser expulso do Exército ainda como um medíocre capitão, talvez não houvesse ali uma tradição familiar de talentos militares a ser preservada. Se faltava vocação para a disciplina, sobrava aptidão para algo muito mais lucrativo: a política. E ali descobriram uma mina de ouro inesgotável, onde os que dominam a arte de simplificar o mundo em slogans, transformar boatos em verdades convenientes e espalhar indignação industrializada conseguem prosperar magnificamente. Na era digital, nunca foi tão fácil transformar desinformação em capital político. As urnas, afinal, são férteis quando irrigadas diariamente por rios de mensagens, víd...