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Não é sobre Moraes. É sobre quem vai julgar os próximos golpes

Plenário do Supremo Tribunal Federal - Brasília   O fato é que a preocupação maior não reside nas mensagens de WhatsApp atribuídas a Alexandre de Moraes, por mais comprometedoras que pareçam, mas no conteúdo dos relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontam uma série de comportamentos atípicos e desvios na conduta de André Mendonça como relator. A Moraes cabe o benefício da dúvida: ainda falta materialidade de delito, recebimento de vantagem, prevaricação ou qualquer ato concreto que ultrapasse a esfera das comunicações recuperadas do celular de Daniel Vorcaro. Já Mendonça é alvo de análises da própria PF que descrevem posturas seletivas, interferência indevida na autonomia investigativa, acesso direto a material bruto e tratamento diferenciado de investigados conforme afinidades políticas, inclusive no âmbito das operações envolvendo o Banco Master e os desvios do INSS. Essa assimetria de evidências já revela onde o risco institucional é mais concreto e imediato. É pre...

Kassio Nunes Marques no TSE: o perigo que a lealdade cega representa para as eleições de 2026

Kassio Nunes e Flávio Bolsonaro Há cargos que se conquistam por mérito, estudo e aprovação em concursos públicos rigorosos. E há carreiras que se constroem por indicações, amizades e trocas de favores. Kassio Nunes Marques, ministro do STF e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, pertence claramente à segunda categoria. E isso, nas vésperas de uma eleição presidencial em que o filho de seu padrinho político é candidato, não é detalhe menor: é um risco institucional concreto. Kassio nunca prestou um único concurso público para a magistratura ao longo de toda a sua trajetória. Formou-se em Direito, atuou como advogado, ocupou cargos na OAB do Piauí e, a partir daí, subiu exclusivamente por indicação. Foi nomeado para o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí em períodos de governo Lula. Depois, chegou ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região pelo quinto constitucional, a vaga reservada a advogados, por indicação de Dilma Rousseff. E, finalmente, em 2020, foi escolhido por Jair Bo...

Mendonça, o ministro bolsonarista que só acelera quando convém

A Polícia Federal cansou de engolir calado. Na última semana, acionou a AGU contra as medidas do ministro André Mendonça que transformaram o inquérito das fraudes do INSS num processo sob vigilância permanente do gabinete dele. Todos os atos da apuração devem ir direto para as mãos do ministro. Qualquer troca de investigador precisa de aviso prévio. Em bom português: intromissão grosseira na gestão da corporação e sinal explícito de desconfiança seletiva. Mendonça, relator do caso que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, já tinha exigido que a PF terminasse a análise de cerca de 1.700 itens apreendidos em 60 dias. A polícia respondeu com a realidade: 11 investigadores, quando seriam necessários mais de 40, e o trabalho ainda no começo. O ministro, irritado com as mudanças de coordenação, mandou manter a equipe e justificar qualquer alteração. Enquanto isso, a operação Compliance Zero, mais recente, andava em ritmo bem mais acelerado. Coincidência? Investigadores que acompanham ...

O Triunfo dos Dudas: A Apoteose da Mediocridade no Topo do Judiciário

  Eis que testemunhamos a gloriosa apoteose do "cabeça de bagre", aquela criatura que escalou o Everest da magistratura não por esforço ou intelecto, mas no sempre eficaz empuxo de compadres e coronéis. Um monumento vivo ao triunfo inequívoco da mediocridade. O rapaz é um verdadeiro gênio da geopolítica do networking: sempre esteve no lugar certo, na hora exata, conseguindo a proeza de galgar os mais altos degraus da carreira pública sem o incômodo cansaço de prestar um único concurso público. A obra-prima dessa trajetória se completou quando seu padrinho — aquele singelo capitão expulso do Exército que, numa disputa acirrada, consegue ser ainda mais medíocre que o afilhado — o catapultou para o Supremo Tribunal Federal. Sejamos justos: a indicação não foi um ato de caridade cristã do capitão. Foi aparelhamento puro, orgânico, na acepção mais fisiológica da palavra. Kassio Nunes Marques, porque dar nome aos bois é um dever cívico, sempre carregou no peito a nobre e submissa r...

O radical útil à extrema-direita

Rui Costa Pimenta Há quem sirva à extrema-direita sem jamais sair da esquerda. Rui Costa Pimenta é hoje um caso exemplar. Líder de um partido irrelevante, mas barulhento — o Partido da Causa Operária — Rui produz, com disciplina quase militante, argumentos que a direita golpista agradece de pé. Ao atacar as urnas eletrônicas, relativizar o discurso de ódio e demonizar qualquer defesa institucional da democracia, Rui não radicaliza o debate: ele o empobrece. Sua obsessão em tratar Alexandre de Moraes como inimigo central da esquerda ignora o óbvio ululante: em tempos de ameaça real ao Estado de Direito, defender as instituições não é virtude liberal, é condição de sobrevivência. O mais curioso é o espaço generoso que recebe no Brasil 247. Não por censura, ideias ruins devem circular, mas pela insistência. Em um campo progressista cheio de vozes lúcidas e estrategicamente relevantes, optar por Rui é escolher o ruído, o dogma e a caricatura. No fim, Rui Costa Pimenta não desafia o sistema...