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Showing posts from 2025

Energia nuclear: limpa demais para ser levada a sério ?

Vivemos a era da emergência climática. Conferências internacionais se multiplicam, gráficos apocalípticos circulam com entusiasmo e discursos sobre transição energética tornaram-se praticamente obrigatórios. Tudo isso, claro, acompanhado de promessas de um futuro limpo, sustentável e, se possível, eleitoralmente conveniente. Ainda assim, é curioso notar que uma das fontes de energia mais limpas, densas e estáveis já disponíveis continua sendo tratada como um assunto delicado, quase constrangedor. A energia nuclear permanece fora do centro do debate climático, como se fosse uma herança embaraçosa de um passado que preferimos fingir que superamos. A pergunta se impõe: se a energia nuclear é de baixo carbono, confiável e tecnicamente madura, por que ela não ocupa um papel central na discussão sobre o futuro energético do planeta? A resposta não está na física. Nem na engenharia. Energia limpa não é apenas a que depende do clima O debate energético atual parece resumir energia renovável a ...

O radical útil à extrema-direita

Rui Costa Pimenta Há quem sirva à extrema-direita sem jamais sair da esquerda. Rui Costa Pimenta é hoje um caso exemplar. Líder de um partido irrelevante, mas barulhento — o Partido da Causa Operária — Rui produz, com disciplina quase militante, argumentos que a direita golpista agradece de pé. Ao atacar as urnas eletrônicas, relativizar o discurso de ódio e demonizar qualquer defesa institucional da democracia, Rui não radicaliza o debate: ele o empobrece. Sua obsessão em tratar Alexandre de Moraes como inimigo central da esquerda ignora o óbvio ululante: em tempos de ameaça real ao Estado de Direito, defender as instituições não é virtude liberal, é condição de sobrevivência. O mais curioso é o espaço generoso que recebe no Brasil 247. Não por censura, ideias ruins devem circular, mas pela insistência. Em um campo progressista cheio de vozes lúcidas e estrategicamente relevantes, optar por Rui é escolher o ruído, o dogma e a caricatura. No fim, Rui Costa Pimenta não desafia o sistema...

O pateta fujão

Ora, ora, quem diria. Silvinei Vasques foi capturado no Paraguai no meio de uma tentativa de fuga tão engenhosa quanto patética, rumo a El Salvador. Uma operação que começou mal e terminou exatamente onde deveria: no ridículo. O doente terminal O fascista da PRF Para a ocasião, encenou uma ópera bufa: vestiu-se de doente terminal, simulou um câncer no cérebro e colou esparadrapos pelo corpo como se isso lhe conferisse verossimilhança. Alegou, por escrito, vejam a ironia, que não podia falar nem entender nada por causa da doença. O câncer, ao que parece, poupou a coordenação motora, a caligrafia, o planejamento da fuga internacional e até o cuidado de levar o cachorro junto. A estupidez sempre foi sua marca registrada, mesmo quando se fantasiava de autoridade no uniforme preto apertado, inflado de pose e vazio de dignidade. No aeroporto paraguaio, reduto clássico de fugitivos de quinta categoria, o golpista revelou sua essência: um malandro sem talento, desses que confundem esperteza co...

O Congresso apequenado e a inércia da liderança

O Brasil vive um descompasso crônico: uma nação de potencial continental acorrentada a um Poder Legislativo que insiste em operar na mediocridade moral. Não se trata apenas de falhas no presidencialismo de coalizão ou de heranças coloniais; o problema central é a crise de capital humano. Faltam quadros com estatura republicana nas cadeiras acolchoadas de Brasília. Nas últimas duas décadas e meia, o Parlamento brasileiro sofreu uma metamorfose deletéria. O debate de ideias cedeu lugar a um pragmatismo vulgar, onde o interesse público tornou-se mero acessório retórico. A institucionalização do fisiologismo , via emendas com baixa transparência, transformou o orçamento da União em moeda de troca paroquial, drenando recursos estratégicos para atender a caprichos locais sem critério técnico. A nostalgia é inevitável quando se compara o cenário atual com tempos idos. Figuras como Ulysses Guimarães ou Ibsen Pinheiro , a despeito de suas contradições, mantinham o decoro e a liturgia do cargo...

Patriotismo da Neurose

Antes, a figura central era o pastor, e ao seu redor, um rebanho de fiéis, todos vigilantes e submissos à obediência divina. A vida era pautada por um código rigoroso: morria-se ou matava-se, comia-se ou jejuava-se, tudo em estrita conformidade com as regras pregadas, em nome da moral inquestionável e dos ensinamentos celestiais. O temor a Deus ditava cada passo, cada pensamento, e a salvação era a recompensa por uma vida de conformidade e sacrifício. A individualidade era suprimida em prol da coletividade, da identidade do rebanho, e qualquer desvio era prontamente condenado como heresia, uma ameaça à ordem estabelecida. Hoje, a paisagem ideológica mudou, mas a dinâmica fundamental persistiu, apenas com novas roupagens. A fé religiosa, outrora a força motriz, cedeu seu lugar a um patriotismo aleijado, doentio, que se manifesta em patriotas fervorosos, mas tristemente incapazes de gerir a informação de forma coerente e crítica. A capacidade de discernimento foi atrofiada, substituída p...