Vivemos a era da emergência climática. Conferências internacionais se multiplicam, gráficos apocalípticos circulam com entusiasmo e discursos sobre transição energética tornaram-se praticamente obrigatórios. Tudo isso, claro, acompanhado de promessas de um futuro limpo, sustentável e, se possível, eleitoralmente conveniente. Ainda assim, é curioso notar que uma das fontes de energia mais limpas, densas e estáveis já disponíveis continua sendo tratada como um assunto delicado, quase constrangedor. A energia nuclear permanece fora do centro do debate climático, como se fosse uma herança embaraçosa de um passado que preferimos fingir que superamos. A pergunta se impõe: se a energia nuclear é de baixo carbono, confiável e tecnicamente madura, por que ela não ocupa um papel central na discussão sobre o futuro energético do planeta? A resposta não está na física. Nem na engenharia. Energia limpa não é apenas a que depende do clima O debate energético atual parece resumir energia renovável a ...
Há coisas que só se compreendem quando vistas de fora. O Olhar de Fora reúne textos sobre política brasileira, cinema e viagens escritos a partir dessa distância necessária — onde o afeto não anula a crítica e a lucidez não pede licença. Um espaço de observação, memória e confronto de ideias.