A Polícia Federal cansou de engolir calado. Na última semana, acionou a AGU contra as medidas do ministro André Mendonça que transformaram o inquérito das fraudes do INSS num processo sob vigilância permanente do gabinete dele. Todos os atos da apuração devem ir direto para as mãos do ministro. Qualquer troca de investigador precisa de aviso prévio. Em bom português: intromissão grosseira na gestão da corporação e sinal explícito de desconfiança seletiva. Mendonça, relator do caso que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, já tinha exigido que a PF terminasse a análise de cerca de 1.700 itens apreendidos em 60 dias. A polícia respondeu com a realidade: 11 investigadores, quando seriam necessários mais de 40, e o trabalho ainda no começo. O ministro, irritado com as mudanças de coordenação, mandou manter a equipe e justificar qualquer alteração. Enquanto isso, a operação Compliance Zero, mais recente, andava em ritmo bem mais acelerado. Coincidência? Investigadores que acompanham ...
Há coisas que só se compreendem quando vistas de fora. O Olhar de Fora reúne textos sobre política brasileira, cinema e viagens escritos a partir dessa distância necessária — onde o afeto não anula a crítica e a lucidez não pede licença. Um espaço de observação, memória e confronto de ideias.