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O Triunfo dos Dudas: A Apoteose da Mediocridade no Topo do Judiciário

 



Eis que testemunhamos a gloriosa apoteose do "cabeça de bagre", aquela criatura que escalou o Everest da magistratura não por esforço ou intelecto, mas no sempre eficaz empuxo de compadres e coronéis. Um monumento vivo ao triunfo inequívoco da mediocridade.


O rapaz é um verdadeiro gênio da geopolítica do networking: sempre esteve no lugar certo, na hora exata, conseguindo a proeza de galgar os mais altos degraus da carreira pública sem o incômodo cansaço de prestar um único concurso público.


A obra-prima dessa trajetória se completou quando seu padrinho — aquele singelo capitão expulso do Exército que, numa disputa acirrada, consegue ser ainda mais medíocre que o afilhado — o catapultou para o Supremo Tribunal Federal.


Sejamos justos: a indicação não foi um ato de caridade cristã do capitão. Foi aparelhamento puro, orgânico, na acepção mais fisiológica da palavra.


Kassio Nunes Marques, porque dar nome aos bois é um dever cívico, sempre carregou no peito a nobre e submissa responsabilidade de retribuir o favor. E como trabalhou! Com uma obediência que daria inveja a um cão de guarda bem adestrado, em 100% das decisões que envolviam seu benfeitor e a respectiva corte de asseclas, suas canetadas cirúrgicas protegeram os interesses daquele que hoje, por capricho do destino (e do Código Penal), habita uma cela na cadeia.


Mas o destino, ah, o destino é de uma ironia cortante. Pelos ritos sagrados da nossa combalida democracia, o STF teve que engolir não apenas Kassio, mas também sua metade da laranja jurídica: André Mendonça.


Sintonia fina: São tão íntimos e operam em tamanha telepatia que seus votos parecem redigidos pelo mesmo neurônio compartilhado.


O "terrivelmente" preparado: Mendonça é, talvez, um milímetro menos medíocre que o colega, mas ainda assim um insulto à cadeira que ocupa.


Em uma dessas raras e trágicas conjunções Astrais onde o inapto beija o rasteiro, Mendonça também foi a oferenda do golpista enjaulado ao tribunal.


Seguindo o baile dos ritos institucionais, Kassio foi parar na presidência do TSE — sim, o mesmíssimo tribunal que seu capitão de estimação demonizou e tentou implodir quando as urnas lhe foram ingratas. Quem ri por último, assina o diário oficial.


Kassio mal havia descoberto onde ficava o banheiro de sua nova sala e, antes mesmo de puxar a cadeira, sacou a caneta com a urgência de quem teme ser acordado do sonho. Em um ato de pura eficiência partidária, decretou: pesquisa eleitoral que ouse mostrar o filho do seu "bom amigo" em pleno declínio nas pesquisas tem que ser censurada, trancada e jogada às traças. Dali não passa.


Kassio promete muito mais. É só esperar para ver. Afinal, a vergonha de cometer absurdos em praça pública é um sentimento que ele já provou, há muito tempo, não possuir no seu código genético.

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