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| João Cláudio Nabas |
João Cláudio Nabas, perito criminal federal com duas décadas de casa, chefe do Núcleo Técnico-Científico da PF em Vilhena (RO), engenheiro civil, mestre em Economia pela UnB e professor de cursos internos sobre crimes financeiros, virou réu de si mesmo. Ou melhor: alvo da 7ª fase da Operação Compliance Zero. A acusação? Ter vazado informações sigilosas do “Caso Master” para a jornalista Malu Gaspar, do O Globo. Entre os documentos supostamente repassados, um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes – sim, o mesmo ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes.
É o tipo de ironia que só a realidade brasileira entrega de bandeja: o perito que passava a vida estudando fraudes financeiras em fundos de previdência (tema da sua dissertação de mestrado de 2023, ligada à Operação Fundo Fake) decidiu, ele próprio, brincar de Robin Hood das planilhas sigilosas. Ou seria o Robin Hood do WhatsApp?
O Bolsonarista que se sentia imune
Até 2023, Nabas não escondia o jogo nas redes. Compartilhava Sergio Moro defendendo prisão em segunda instância, torcia por Marcel Van Hattem (Novo-RS) para presidir a Câmara e reproduzia críticas bolsonaristas ao STF e a Lula. Clássico. Porque, convenhamos, para certa tribo política, “lei” é algo que se aplica aos outros. Ética? Retidão? Tabus inconvenientes, quase pecados de esquerdista. O bolsonarista médio se enxerga como paladino da moralidade enquanto o Estado Deep o persegue, até o momento em que ele próprio precisa ser protegido pela “instituição podre” que jurou defender.
Nabas não foi exceção. Com carreira sólida, conhecimento técnico respeitável e cargo estratégico dentro da Polícia Federal, escolheu o caminho mais torto: supostamente vazar material protegido para aparecer. Porque, no fundo, não é só fanatismo ideológico que desvirtua. É o desejo patético dos 15 minutos de fama, ainda que seja fama de delator de plantão, estrela de manchete nacional na posição menos nobre possível. O cais do porto do jornalismo tem suas profundezas, e Nabas parece ter mergulhado de cabeça, achando que o cheiro de esgoto passaria despercebido.
O “herói” que virou figurante
A PF, que ele tanto criticava indiretamente através de seus compartilhamentos, agora investiga o próprio colega. O STF autorizou as medidas, e o tribunal foi claro: a operação não mira jornalistas, mas preserva o sigilo das investigações. Enquanto isso, Nabas foi afastado das funções. O justiceiro das redes sociais, o especialista em fraudes que supostamente cometeu a própria fraude contra o sistema que jurou proteger.
Há algo tragicômico nisso tudo. O homem que lecionava repressão a crimes financeiros agora é réu de uma operação batizada “Compliance Zero”, zero conformidade com as regras que ele, teoricamente, conhecia melhor que ninguém. O professor vira mau exemplo. O perito vira suspeito. O bolsonarista que se achava acima da lei descobre, da pior forma, que a lei (ao menos por enquanto) ainda funciona.
No fim das contas, Nabas é mais um caso clássico de como o veneno do tribalismo político, somado à vaidade barata de quem quer seu nome no noticiário, consegue corromper até quem tinha currículo para ser diferente. Em vez de combater fraudes, preferiu protagonizar uma. Em vez de servir à lei, decidiu que era maior que ela.
Resultado? Mais um bolsonarista que se imaginava invencível e agora coleciona processos. A história de sempre: muito ódio do “sistema”, pouca capacidade de não se tornar exatamente o que diziam combater. Parabéns, perito. O mestrado em finanças não te ensinou o básico: quando você acha que está acima da lei, mais cedo ou mais tarde a lei vem te lembrar que não.

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